A guerra política travada entre brandonistas e dinistas no Maranhão tem produzido um efeito colateral cada vez mais evidente: o fortalecimento silencioso, porém consistente, do prefeito de São Luís, Eduardo Braide. Enquanto os dois grupos se enfrentam em uma disputa marcada por desgaste, acusações e batalhas institucionais, Braide observa tudo de camarote, preservado e sem precisar entrar diretamente no conflito.
De um lado, o governador Carlos Brandão enfrenta o peso de investigações jurídicas que chegam ao Supremo Tribunal Federal (STF), o que naturalmente amplia o ambiente de instabilidade e tensão em seu núcleo político. Do outro, o vice-governador Felipe Camarão, principal nome do dinismo para a sucessão, passa a conviver com pressões simultâneas na Assembleia Legislativa, por meio de uma CPI, e também na Justiça estadual. Em vez de unidade, o que se vê é um cenário de autofagia política que enfraquece ambos os lados.
Nesse contexto, Braide se beneficia como poucos. Sem se expor ao desgaste da guerra interna entre os grupos que hoje dominam o debate político estadual, o prefeito da capital ganha tempo, musculatura e liberdade de articulação. A crise entre brandonistas e dinistas o deixa mais confortável para não se submeter a uma aliança automática com o campo dinista, especialmente se essa composição não lhe garantir a autonomia real que ele tanto preza.
Mais do que isso: ao assistir o adversário se consumir por dentro, Braide percebe que não terá obrigação de ceder um espaço na sua chapa majoritária aos dinistas. E não apenas isso. A própria capacidade desse campo político de conquistar vitórias relevantes nas eleições proporcionais também pode ser comprometida, caso a divisão siga se aprofundando.
Há ainda um fator que pesa na balança: em um eventual governo liderado por Braide, as chances de acomodação política para velhos aliados são vistas como mínimas. O histórico dos últimos seis anos na Prefeitura de São Luís mostra um modelo de gestão pouco afeito ao loteamento político tradicional e às indicações partidárias. Isso, por si só, já torna qualquer aliança com Braide mais difícil e menos atrativa para quem vive da lógica do espaço de poder.
Com esse capital político acumulado e diante do cenário de autodestruição dos seus principais adversários, Eduardo Braide vai consolidando um projeto que pode ultrapassar a disputa pelo Governo do Estado. Se o tabuleiro continuar se movendo nessa direção, ele não apenas se credencia como favorito em uma futura eleição estadual, como também pavimenta as condições para manter influência direta sobre a Prefeitura de São Luís, com a possível eleição de sua aliada e atual vice-prefeita, Esmênia Miranda.
No fim das contas, enquanto brandonistas e dinistas trocam golpes e alimentam uma guerra sem vencedores aparentes, Braide vai colhendo os frutos da omissão estratégica. E, na política, às vezes, assistir em silêncio é a forma mais eficiente de vencer.








