O Maranhão, berço de tradições ribeirinhas e cultura pesqueira centenária, tornou-se sinônimo de um dos maiores escândalos de corrupção social do país. No epicentro da fraude, o seguro-defeso — benefício pago a pescadores artesanais durante o período de reprodução dos peixes — foi sequestrado por um esquema que mistura crime organizado, manipulação eleitoral e cooptação de estruturas públicas. E no interior do estado, a cidade de Axixá se tornou o retrato mais desavergonhado dessa engrenagem criminosa.
Com mais de 590 mil pescadores registrados, o Maranhão detém um terço dos cadastros nacionais, mesmo figurando apenas na sexta posição na produção de pescado no Brasil. A matemática não fecha — e a corrupção escancara: seriam quase mil pescadores por embarcação, uma aberração estatística que transforma barcos em arcas de laranjas e o Estado em cúmplice silencioso de uma máquina de fraudes.
Axixá: voto trocado por rede e anzol
No bojo da Ação de Investigação Judicial Eleitoral, protocolada pela Coligação “Axixá Não Pode Parar”, veio à tona a denúncia de uso sistemático do seguro-defeso como moeda de compra de votos. O recurso eleitoral apresentado à Justiça denuncia o uso do benefício em pleno período de campanha, com a anuência de agentes públicos, lideranças políticas e entidades sindicais supostamente voltadas à proteção dos pescadores.
A então candidata Roberta Barreto e seu principal aliado Leandro Mendonça são acusados de transformar a miséria em curral, usando o benefício como promessa, moeda e chantagem. O conluio envolveria não só o desvio de função do programa, mas também fraude no domicílio eleitoral, coação de servidores e instrumentalização da máquina municipal, sob o comando da ex-prefeita Sônia Campos.








